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Dormir na prisão 

 

Uma das novidades que têm aparecido no campo da hotelaria é a de poder dormir numa cela de prisão, ou pelo menos num edifício prisional adaptado, com todos os confortos de um hotel moderno.

As companhias hoteleiras não se poupam a esforços para conquistar clientes. Lucerna, na Suíça, Praga, na República Checa, Liepaja, na Letónia, Boston, nos Estados Unidos, Istambul, na Turquia, e a Cidade do Cabo, na África do Sul, são alguns dos lugares onde o turista à cata de experiências curiosas pode agora dormir numa prisão. Sem o mesmo ambiente que teria numa prisão em funcionamento, é certo, e com confortos por vezes acima da média.
Na cidade letã de Liepaja, por exemplo, a Karosta Prison é uma antiga prisão militar construída em 1900, de aproximação absolutamente proibida durante a época soviética, uma vez que se destinava a punição e até execução de militares recalcitrantes. Agora é possível passar a noite numa cela de duas pessoas, e mesmo, com reserva especial, contar com a colaboração de alguns "guardas" para passar uma verdadeira noite de horror, recriando os «maus velhos tempos». Mas não é hotel aconselhado a quem não se dá bem com almas do outro mundo, já que as associações internacionais de caça-fantasmas a apontam como um dos lugares mais assombrados do planeta.
Em Lucerna o ambiente é mais calmo: a prisão funcionou até 1998, mas como se trata de uma prisão Suíça, provavelmente nessa altura já se parecia com um hotel. Neste momento é apresentado como um trendy boutique hotel, com uma decoração e ambiente que não deixam esquecer onde estamos. O mais curioso é que a queixa mais frequente entre os hóspedes - os de agora, não os anteriores -, é a falta de segurança nos quartos.
Em Praga, o Unitas Hotel exibe quatro estrelas e tem delicadezas como a de disponibilizar refeições vegetarianas ou para diabéticos. Mas antes de ser hotel já foi armazém e convento, até que na época soviética se transformou em centro de detenção e interrogatório, onde esteve detido, entre muitos outros, aquele que seria o futuro presidente da República Checa, Vaclav Havel.
Em Istambul podemos esquecer os horrores das prisões turcas celebrizados no cinema em filmes como o Expresso do Oriente, já que o belo palacete que foi a primeira prisão turca do império otomano, construída em 1919, pertence agora à cadeia de hotéis de luxo Four Seasons. Fica a dois passos da Mesquita Azul e do Palácio de Topkapi.
Nos EUA, a cidade de Boston também tem a sua luxuosa prisão para turistas, que por sinal faz parte da lista The Leading Hotels of The World. O nome irónico deste boutique hotel com celas cheias de charme é Hotel Liberty, e dizem que tem um excelente Alibi, que aqui é o nome do bar.
A lista de «prisões» mais ou menos luxuosas continua, mas apresentamos apenas mais uma, desta feita na África do Sul: Breakwater Lodge, na Cidade do Cabo. Construída em 1859 para albergar condenados destinados a contruir o quebra-mar de Table Bay, a prisão tinha dormitórios para sessenta homens separados por raças. Reza a história que, como brancos e negros se juntavam para conversar no pátio, o governo colonial acabou por construir uma segunda prisão para evitar um convívio considerado pouco saudável. Hoje, o Breakwater Lodge oferece quartos de vários tipos, com preços diversos e para todas as raças.
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