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Agosto tem mais turistas, mas menos receitas 

  Há hóspedes nos hotéis. Famílias na praia. E clientes nos restaurantes. Ao contrário do que se esperava e que os indicadores faziam prever.

O problema é que os hóspedes estão a pagar menos pelos quartos. As famílias estão a cortar nos gastos. E as refeições dos clientes ficam-se pelo prato principal, evitando despesas extra com entradas e sobremesas. O sector está mais optimista, mas continua de prevenção. A grande diferença face ao Verão de 2009 é a predominância de turistas nacionais. O mercado interno sempre representou uma fatia importante, ainda que menor do que a dos estrangeiros. A crise veio confirmar esta tendência, que até já teve direito a formar palavra e a constar no dicionário de inglês de Oxford. Os britânicos deram-lhe o nome de staycation, conjugando stay (ficar) e vacation (férias) para denominar um movimento típico em tempos de instabilidade económica: ficar no país de origem durante as férias. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que, entre Janeiro e Junho, o número de portugueses nas unidades hoteleiras aumentou 2,5 por cento, para 5,6 milhões, enquanto a afluência de turistas estrangeiros caiu 2,7 por cento, para 10,1 milhões. Este mês, esse crescimento mantém-se, em linha com as recomendações feitas no início de Junho pelo Presidente da República, quando pediu aos cidadãos que fizessem férias em Portugal para ajudar a economia. Agosto é um mês «tradicionalmente forte em termos de turismo interno. Este ano não é excepção» e não é só o Algarve que «está a ser alvo deste acréscimo de fluxo», afirmou ao PÚBLICO o secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade. Também a norte se nota que há mais portugueses. «Não saíram tanto para fora, em virtude da diminuição do poder de compra. Apesar de haver muitos espanhóis, os turistas nacionais estão em maioria», garante Luís Carvalho, presidente da Federação Portuguesa de Concessionários de Praia. Mas mais turistas não significa necessariamente mais receitas. Aliás, neste Verão, o que se sente é uma maior propensão para a poupança. O secretário de Estado do Turismo confirmou que «o factor preço é importante» e que «as pessoas estão mais regradas» nos gastos. Ainda assim, não deixam de fazer férias. «Têm uma necessidade e querem satisfazê-la», acrescentou. O tipo de férias é que varia em função do impacto que a crise teve na carteira.



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