Em tempos de crise qualquer boa ideia é bem-vinda. E em termos de criatividade financeira, as universidades portugueses parecem estar na linha da frente. Durante o Verão, as residências universitárias transformam-se em hotéis de baixo custo disponíveis para jovens de todos os países. O sistema é simples: contactar a universidade, preencher a candidatura e escolher qual a cidade e a residência onde ficar. Tudo o resto funciona como um hotel, com a vantagem de ter disponíveis outros serviços adicionais, muitos sem qualquer custo acrescido.
Na Universidade do Minho (UM), que começou a alugar as residências em 2009, cada utilizador tem direito a usufruir das salas de internet, do ginásio, da cantina, dos espaços de lavandaria, das bicicletas disponíveis para os alunos e pode ainda comprar pacotes de actividades radicais para praticar na cidade de Braga. «Esta iniciativa surgiu no âmbito da promoção da Universidade do Minho e tem vindo a aproximar a comunidade da nossa instituição», explica ao i Carlos Silva, administrador dos serviços de acção social da UM.
Os 7 milhões de euros que os serviços de acção social têm disponíveis anualmente têm também de custear o mês de Agosto, normalmente uma época sem estudantes a ocupar as instalações. «Acredito que seja uma forma de dinamizar a universidade e conseguir mais receitas para os serviços», acrescenta o responsável. Os quartos, que no total dispõem de cerca de 400 camas, podem ser alugados por 12 euros por dia, 40 euros por semana, 70 euros por 15 dias e 120 euros por um mês. «Em 2009 tivemos um taxa de ocupação a rondar os 60%, mas este ano pensamos conseguir ultrapassar esse número».
Na capital
A Universidade Nova aderiu também o ano passado às chamadas summer accommodation, arrecadando uma receita total de cerca de 40 mil euros, com a participação de 346 jovens. No entanto, João Carreiras, responsável pelo gabinete de cultura e alojamento dos serviços de acção social garante que «informalmente, já há muitos anos que a Nova adere a este tipo de iniciativas», fazendo referência a intercâmbios, estágios e cursos de Verão, nos quais os participantes ficavam alojados nas residências da universidade.
A propaganda é feita através das câmaras municipais e das universidades estrangeiras «até porque um dos objectivos é tornar as residências numa competição aos hostels para o público estrangeiro», acrescentou João Carreiras. Por 20 euros por dia ou 230 euros por mês, os interessados podem escolher uma das três residências na cidade de Lisboa: Residência Alfredo de Sousa, Residência do Lumiar e Residência Fraústo da Silva.
A rentabilização das infra-estruturas da Universidade Nova não se fica pelo aluguer das residências. Também a reitoria é alugada para palestras ou congressos e até as cantinas servem de espaço publicitário para algumas empresas.
Receitas
As universidades vão escapar ao plano de austeridade que previa uma cativação de 20% das receitas com as propinas. Segundo a notícia avançada em Junho, o Estado abdica assim de uma poupança de 48 milhões de euros. Durante um encontro com reitores das universidades, o primeiro-ministro, José Sócrates, e o ministro da Ciência e do Ensino Superior, Mariano Gago, garantiram aos reitores que a cativação de 20% não seria aplicada aos estabelecimentos de ensino superior, no âmbito do contrato de confiança assinado entre o governo e as universidades.