O calendário de 2012 foi "favorável" a Montalegre e reservou-lhe três daquelas datas associadas ao azar (janeiro, abril e julho), nas quais imperará a animação, originalidade, singularidade e a mistura entre o oculto e o profano. Fernando Rodrigues, presidente da câmara de Montalegre, revelou hoje à Lusa que, apesar dos cortes orçamentais para 2012, o orçamento para a primeira sexta-feira 13 do ano, evento «mais aguardado» na vila de Trás-os-Montes, mantém-se igual ao do ano anterior, «rondando os 40 mil euros». Este investimento, disse o autarca, é «sem riscos», porque tem um «retorno enorme» não só no imediato, mas a longo prazo.
Os visitantes, lembrou Fernando Rodrigues, quando vão à noite das bruxas não ficam apenas na sexta-feira, mas o fim de semana «inteiro», fazendo com que durmam, comam e consumam em Montalegre, impulsionando, assim, a economia local aos vários níveis. Além disso, frisou, regra geral gostam «tanto» da vila e do espetáculo que fazem reservas para a sexta-feira 13 seguinte. Este ano, à semelhança de anos anteriores, a animação pelas ruas da vila de Montalegre começa na sexta-feira à tarde e, posteriormente, às 20 horas os restaurantes têm preparado um jantar amaldiçoado para os convivas que serão surpreendidos pelos enfarruscados do demónio. Antes do espetáculo «inédito» no Castelo de Montalegre que, este ano, vai homenagear o padre Fontes e a sua queimada, haverá um desfile endiabrado pelas ruas, com bruxas, diabos e figuras «do além». O ponto alto da noite será a preparação da queimada, licor feito à base de aguardente, limão e açúcar, feito pelo padre Fontes, conhecido por "Dom Bruxo", acompanhada por um espetáculo piromusical. A animação e diversão pelas ruas, bares e discotecas continuarão durante a noite. A noite das bruxas é, segundo o edil, a «melhor forma» de projetar a imagem de Montalegre para o exterior e de atrair pessoas à vila transmontana. Fernando Rodrigues salientou que caso neve nesse dia, tornando a sexta-feira 13 «única», a autarquia tem já um «plano B», pelo que as pessoas não precisam de ter receio.
Apesar da crise económica, o autarca transmontano não teme uma diminuição de visitantes porque, além de ser um espetáculo único no país, as pessoas não pagam bilhete. David Teixeira, um dos organizadores do evento, garantiu à Lusa que os restaurantes e unidades de alojamento estão «praticamente» esgotados. «Na noite de 13 de janeiro vamos esconjurar a crise, por isso, o ano só vai correr bem a quem vier a Montalegre», afirmou, em tom de brincadeira. A Câmara de Montalegre organiza a noite das bruxas desde 2002, que decorre todas as sextas-feiras 13, sendo já parte integrante do calendário cultural da região.