A tradição repete-se anualmente, sem se perder a essência do costume. Diz quem se lembra, que antigamente havia um maior respeito, mas o importante é que estas tradições não se esbatam com o tempo e se mantenham enraizadas nas suas origens. Entre as tradições cristãs dos meios rurais em vias de extinção situa-se a “amentação das almas”, que significa «lembrar os nomes dos mortos e encomendá-los a Deus», uma tarefa que ocupa grupos de pessoas na Quaresma, cantando e rezando pelas ruas da vila, em sufrágio dos familiares ou vizinhos falecidos.
Durante a Semana Santa, os populares cânticos são entoados todos os sábados à noite, sem música e só com a voz a ecoar por toda a vila. Em cada encruzilhada aparecem homens e mulheres de vestes pretas, xailes compridos e capas serranas, em tons escuros. Quanto mais escuro, maior o luto pela morte. Conta a tradição que todos devem andar com a cara tapada, tanto os que entoam os cânticos, como os habitantes que atiram as esmolas desde as suas casas. É que se mostrarem o rosto podem ser julgados pelo «peso da mão de Deus», pese embora esta regra da cara tapada hoje já não ser levada tão a sério como antigamente. Mas as vestes negras e os rostos cobertos simbolizam também o tempo a que se reporta esta tradição, quando ainda não havia luz eléctrica, e significam ainda o respeito ao próprio cântico. A tradição diz também que nos primeiros quatro sábados devia cantar-se o “grito das almas” e nos seguintes, até ao oitavo sábado, canta-se a “Amenta das almas”, apesar de ambos os cânticos terem o mesmo significado. No intervalo de cada quadra, há uma campainha que impõe o silêncio e exige a oração do Pai-Nosso e assim sucessivamente.