A tradição remonta a 1698 e está ligada a uma obrigação contraída pela Igreja de Vila do Porco, como se chamava então a Aldeia Viçosa. Segundo a história, viviam-se tempos de fome quando uma velha abastada terá feito uma doação para que o povo pudesse, um dia no ano, beber vinho e comer castanhas. Em contrapartida, o clero comprometeu-se a rezar em sua memória um Padre-Nosso todos os anos depois do Natal. A vontade foi satisfeita e a tradição perpetuou-se durante séculos, não havendo geração que não cumprisse este magusto, embora não seja seguido à risca, uma vez que a "Velha" pedia que se realizasse no dia 1 de Janeiro. No entanto, há mais de um século que esta data foi trocada para 26 de Dezembro. No dia do Magusto os sinos repicam insistentemente e anunciam que a folia vai começar. Junto ao madeiro de Natal, que ainda arde, novos e velhos aguardam que do cimo do campanário da igreja “chovam” os 150 quilos de castanhas. O vinho, esse, está guardado religiosamente para depois ser distribuído por todos. Está tudo pronto. Alguém exclama: «Cuidado com a cabeça: vai chover castanha!». E o frenesim começa. Quilos e quilos de castanhas são lançados para o adro, que mais parece o cenário de uma batalha campal, onde só um adversário é que está armado. O jogo do empurra começa para ver quem apanha mais e quem foge melhor à chuva de castanhas. As risadas soltam-se também por causa das “cavaladas”, vulgo saltar para as costas de quem se baixa para apanhar castanhas. Assim que a castanha acaba, aparecem os litros de vinho tinto. Primeiro para os mais velhos e depois para as senhoras. É hora de provar a pinga e confraternizar, mas também de rever velhos amigos, pois ninguém falta à festa.