A fábrica de cobertores Artur Freire ainda mantém viva a tradição têxtil em Maçaínhas. José Pires Freire está à frente da empresa há cerca de trinta anos. Em Maçaínhas, nos anos 40, quase todas as famílias tinham um tear em casa para fazer as suas mantas e havia mesmo algumas pequenas fábricas. Hoje, só José Pires Freire, e outro artesão, se dedicam na aldeia àquela actividade ancestral. Com algum custo, e pouca recompensa, ainda fabricam os famosos cobertores de papa feitos com lã churra de ovelha.
Na antiga fábrica só se ouve o burburinho das máquinas e da lã que nelas se entrelaça. Trata-se de um processo moroso que dá origem aos cobertores ou mantas, pequenas ou grandes, às riscas ou lisas, acastanhadas ou multicolores. A fábrica de cobertores Artur Freire fica à beira da estrada, já no centro da povoação, a poucos quilómetros da Guarda. O antigo edifício cinzento que herdou por acaso, ainda ostenta o nome do seu pai: «Todos os meus irmãos estudaram e foram para fora. Fui o único que ficou por cá», revela, com orgulho, o artesão, que desde 1976 faz daquela arte o seu ofício. No caso da Artur Freire só há um tear artesanal a funcionar, já que os outros estão desmontados por falta de peças. Mas há mais teares na sala ao lado, teares mecânicos, onde se fazem os cobertores e as mantas mais coloridas.
No armazém há agasalhos para todos os gostos e feitios, mas os mais garridos ganharam o nome de mantas "espanholas" ou "amarelas". Eram estas as mais vendidas antigamente, sobretudo nas feiras raianas ou no Ribatejo, pois eram utilizadas pelos campinos.