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 Circuito IV - Descrição do Circuito


Os grandes quadros paisagísticos - Percurso recomendado

Gouveia (N17) – Linhares (EM)– Figueiró da Serra (EM)– Folgosinho (EM) – Gouveia (N232) – Cabeço de Santo Estevão (N339-1) – Sabugueiro (N339) – Mondeguinho (N232) – Pousada de S. Lourenço (N232) – (Covão da Ponte) (CF) – Penhas Douradas (EM) – Vale do Rossim (EM) – Vale das Aldeias (N232) – Gouveia.

O património de Gouveia

A cidade de Gouveia ergue-se a setecentos metros de altitude, na vertente Norte da Serra da Estrela. Dos seus miradouros, do Paixotão e do Monte Calvário, lugar de implantação do antigo castelo, desfrutam-se magníficas panorâmicas sobre a paisagem monumental do Vale do Alto Mondego.

Situava-se na rota da grande via imperial que ligava Emerita Augusta (Mérida), capital da província da Lusitânia, a Bracara Augusta (Braga). Aqui laboraram os cultivadores e artífices árabes.

Em Gouveia viveu também uma comunidade judaica.

Do conjunto histórico-monumental da cidade destacam-se a igreja de S. Pedro, a igreja da Misericórdia, o Solar dos Serpa Pimentel, a Fonte de S. Lázaro (1779) e o edifício dos Paços do Concelho, datado do século XVIII, com o Museu Abel Manta e o jardim artístico Lopes da Costa. O Museu possui uma das mais importantes colecções de arte moderna portuguesa.

O edifico da Câmara Municipal foi construído para Colégio de Jesuítas, mas nunca cumpriu essa função.

A Gouveia se chamou o “O tear da Beira”. A sua indústria de lanifícios atingiria o seu auge no século XIX.

Já na periferia fica o Convento de S. Francisco e o Parque Zoológico, que alberga espécies autóctones da Serra da Estrela.

O Património de Gouveia, Linhares e Folgosinho

Tomando a Estrada da Beira (N17) para leste, na Carrapichana corta-se para Linhares da Beira, aldeia histórica, com um poderoso castelo de duas torres, século XII, e um valioso património paisagístico, arquitectónico e artístico. Por aqui passa a estrada romana, que, por Misarela, vinha da Guarda, o caminho dos almocreves, em direcção a Videmonte e àquela cidade, e a Rota da Lã e da Transumância, nos seu percursos para Melo, Manteigas e Celorico da Beira.

De Linhares também se chega a Figueiró da Serra por calçada medieval, por um agradável percurso pedestre, entre soutos de antiquíssimos castanheiros e relíquias dos carvalhais, que estabelece a ligação entre Linhares e o lugar da Ribeira.

Diversas sepulturas rupestres assinalam a antiguidade do caminho: Chão do Pinto – Sepultura Isolada – 640 m (Particular); Quinxoso – Sepultura isolada – 736 m (Particular); Quinta da Moira – conjunto de 2/3 Sepulturas – 870 m.

De Figueiró da Serra alcança-se por EM Folgosinho. Foi castro pré-romano e pertenceu à Ordem de Cristo. O Estado Novo quis embelezá-la como aldeia típica de Portugal.

A escola primária, projecto do arquitecto Raul Lino, é uma peça notável, de larga fachada debruçada sobre o Vale do Mondego. Os bairros mineiros, construídos durante a II Guerra Mundial para apoiar a extracção do volfrâmio, conservam a sua traça característica. E, no chão das ruas tortuosas, um notável canal, ao serviço das lavadeiras.

Subsistem belos exemplares de arquitectura rural tradicional, hoje casas restauradas de Turismo em Espaço Rural e, no restaurante local, a comida é abundante e fiel à melhor tradição e hospitalidade serranas, personalizada no Sr. Albertino.

Entre o seu património arqueológico a Calçada dos Galhardos (Serra de Cima), a calçada romana da Serra de Baixo, antigas sepulturas e pedras baptizadas: Faraó, Paulo, Furada, Fragão do Veigas, Fragão do Pombo, acessíveis por estradas florestais e em veículos TT, a partir do percurso entre Folgosinho e Linhares da Beira; Senhora de Assedasse e Covão da Ponte.

Pousada de S. Lourenço, Covão da Ponte, Penhas Douradas, Fragão do Corvo, Vale do Rossim

De regresso a Gouveia com passagem por Nabais siga agora a EN232, subindo em direcção a Manteigas, e encontrará a Cabeça do Velho, outro exemplo notável da transformação do granito sob a acção dos agentes erosivos.

Ao longo da subida abre-se a vasta panorâmica das Chãs do Mondego e das montanhas circundantes, da Serra do Caramulo à Nave, objecto da escrita de Aquilino Ribeiro, dos cumes da Marofa até aos confins da Meseta. Para o desfrutar completamente e entender a génese geológica da Serra da Estrela, um pouco antes do cimo, ao km 39, vire á direita para a EN339-1, que conduz ao miradouro de Santo Estevão e depois à EN339, a estrada da Torre. Esteja atento até encontrar, 3 km adiante do seu lado direito, o acesso a um conjunto de rochas graníticas arredondadas conhecido pelo nome do Cabeço de Santo Estevão, a escassos metros da EN.

Aqui pode também observar-se intensa fracturação subhorizontal no granito um fenómeno conhecido por pseudoestratificação. Quando a densidade das fracturas paralelas à superfície topográfica na rocha granítica é grande, esta assemelha-se aos estratos das rochas sedimentares.

Depois de contemplar a grandiosidade da paisagem, prossiga em direcção à EN339 e tome a direcção do Sabugueiro, entrando dentro da povoação para percorrer o atalho que o conduzirá de novo à EN232 e ao caminho para Manteigas.

Prosseguindo alcança-se o Mondeguinho, fonte que assinala simbolicamente a bacia inicial do Mondego. A designação mais difundida de Mondeguinho, corresponde a uma das nascentes perenes do Rio Mondego, facilmente reconhecível no km 44,4 da EN232. O Mondego corre até à Figueira da Foz numa extensão de 227 km, abrangendo uma bacia hidrográfica de 6.800 km2. As nascentes com fontes e cascatas, no andar superior e intermédio, de águas velozes, são excelentes biótopos para as briófitas (musgos e hepáticas) e líquenes. Agrupados como um leque, o Ranunculus pseudofluitans, enfeitado por flores de cinco pétalas brancas maculadas de amarelo na base, agarra-se às pedras.

Junto da Pousada de S. Lourenço o miradoiro permite uma vista privilegiada sobre Campo Romão, mosaico verde e amarelo de terras de centeio. Mas também uma vasta panorâmica que alcança a Serra de Béjar, a Serra da Gata e a Serra de Gredos em Espanha para Este, e para Sul uma das melhores panorâmicas do Vale Glaciário do Zêzere.

Se dispuser de viatura todo o terreno pode tomar o caminho de terra batida defronte da entrada da Pousada de S. Lourenço que lhe permitirá atravessar o Campo Romão e depois de descer até à Cruz das Jogadas (cruzamento no velho caminho de Manteigas/Covão da Ponte/Folgosinho) virar à esquerda e por EM asfaltada descer o Vale Direito e visitar o Covão da Ponte. Trata-se de um magnífico Covão, com uma envolvente de um mundo rural único que supúnhamos apenas ainda existir no nosso imaginário, mas que ali se apresenta com todo o seu esplendor entre casais (conhecidos como os Casais de Folgosinho), rebanhos e campos de feno e centeio, ao longo das margens do Mondego. Este, embora acabado de nascer já proporciona junto à ponte uma pequena praia fluvial, apoiada num magnífico “relvão” na margem direita que serve no Verão como apoio campista, pois dispõe de sanitários/balneários e bar de apoio.

Não se aconselha a passagem para a margem esquerda do Mondego, pese embora existam nessa margem caminhos florestais do tipo do que percorreu no Campo Romão, nem sempre no entanto se encontram transitáveis mesmo para viaturas TT. Aconselha-se por isso o percurso inverso até à Pousada de S. Lourenço e daí o regresso a Gouveia com eventual passagem pelas Penhas Douradas e o Vale do Rossim, atravessando um dos troços do Circuito VI, cuja descrição pode encontrar mais à frente neste Roteiro.

Desce-se de novo para Gouveia pela N232 e o panorama que se abre ainda bem acima do vale das Aldeias cobre uma tão vasta extensão que pode chegar aos confins de Montemuro e da Serra do Marão, para Norte e para Oeste até ás serras do Caramulo e do Bussaco.



 Notas

Cabeço de Santos Estevão
Comentário geológico: 51. Miradouro do Cabeço de Santos Estevão. EN339-1.
Panorama. Plataforma do Mondego, base da Serra da Estrela. Escadaria tectónica da vertente setentrional. Modelo de soerguimento da Serra pop up. Consultar o Comentário geológico: Senhora do Espinheiro. Circuito II.
Consultar o Guia Geológico e Geomorfológico, pág. 52.
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