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Os grandes quadros paisagísticos de Fornos de Algodres
Fornos de Algodres preserva 5 mil anos de história e um importante
património histórico-arqueológico, desde a Pré-História
à actualidade. Os Dólmens ou Antas assinalam a sedentarização
das comunidades humanas, com o advento da agricultura e da
pastorícia. São monumentos funerários e religiosos, construídos
para perpetuar as memórias dos primeiros povoadores e fixar no
culto dos mortos os seus saberes e imaginário, que apresentam
nalguns casos pinturas ou insculturas abstractas ou cenas da vida
quotidiana. Todo o vasto Planalto Beirão, entre os anfiteatros serranos
da Estrela, da Nave, da Lapa e de Montemuro é riquíssimo
nestas singelas mas monumentais expressões do megalitismo.
Os dólmens de Corgas de Matança e Cortiçô (neolítico) são
os mais notáveis.
O Castro de Santiago, em Figueiró da Granja, testemunha a
pré-história da Idade do Cobre.
O Castro da Fraga da Pena, em Queiriz, data da Idade do
Bronze.
A romanização legou-nos o troço da calçada romana de Fornos,
junto à capela de Nossa Senhora da Graça, o troço de calçada romana
de Maceira e a ara da capela de S. Clemente, no Furtado.
A alta Idade Média está representada pelas necrópoles de
Forcadas e Vila Ruiva.
Em Algodres, o busto simbólico do fundador “Algodres”,
gravado na pedra do tardoz da capela-mor da igreja matriz, o
portal gótico e o pelourinho manuelino, documentam o advento
da Idade Moderna.
A capelinha do Santo Cristo em Sobral Pichorro é um repositório
de estruturas arquitectónicos de todas as épocas, com
elementos visigóticos (século XII).
E na etnografia, são peças notáveis o Lagar de Azeite da
Casa do Cabo/Museu Etnográfico em Cortiçô, e o moinho de
vento em Maceira, o queijo da Serra da Estrela e o vinho do
Dão, o artesanato do tamanco (de José Sequeira), a latoaria, a
cestaria e a cerâmica decorativa.
Percurso recomendado
Vila Ruiva (EM) – Ponte de Juncais (N330) – Fornos de Algodres
(N16) – Infias (EM) – Algodres (EM) – Cortiçô (EM) – Forcadas
(EM) – Matança (EM) – Furtado (EM) – Fornos de Algodres
(N330) – Figueiró da Granja (EM) – Sobral Pichorro (EM) – Queiriz
(EM) – Carapito (EC583) – Ponte do Abade (N226) – Açores
(EM599) – Santuário da Senhora da Lapa (EM599) – Aguiar da
Beira (N330) – Fornos de Algodres (N330).
O património de Fornos de Algodres
Com partida do Solar de Vila Ruiva que é estabelecimento
do INATEL recentemente ampliado e um bom exemplo de arquitectura
contemporânea integrada na paisagem e que oferece
o conforto de um moderno hotel, procure nesta aldeia
junto à capela do Anjo a Necrópole Medieval formada por 22
sepulturas escavadas na rocha. Deverá depois de alcançar a
EN330 e atravessar o Mondego na Ponte de Juncais dirigir-se
pela EN16 a Fornos de Algodres para realizar um circuito urbano
que começa por encontrar, a leste da entrada da vila e junto
da capela de Nª Srª da Graça um troço da via romana, bem conservada,
que ligava Mérida à província da Lusitânia.
Procure depois o centro histórico-monumental, com o pelourinho
manuelino reconstruído, os solares, a Igreja Matriz barroca
século XVII, que apresenta o tecto da capela mor revestido de
36 pinturas e diversos óleos de temática religiosa, do século
XVIII, atribuídos a Mestre Jerónimo da Cunha, de Vila Ruiva.
Aproveite ainda para visitar o Centro de Interpretação Histórica
e Arqueológica – CIHAFA. Atravessado o centro histórico,
chega-se à parte mais alta da vila e à saída de Fornos para a
mata municipal da Serra da Esgalhada. Aqui poderá encontrar
além de vários pontos de contacto visual privilegiado com a
envolvente paisagística, nomeadamente no miradouro a NW,
um Centro de Interpretação e Educação Ambiental. Dali se desfruta
uma paisagem monumental sobre o Vale do Mondego e a
Serra da Estrela onde avulta a Penha de Prados rodeada de aerogeradores.
Começamos o percurso das aldeias de montanha
pela mais próxima, a de Infias, onde se encontra a lápide romana
dedicada ao deus Mercúrio, incrustada no lado esquerdo
da parede da Igreja. É uma jornada que nos conduz para novas
paisagens e um vasto anfiteatro que a Norte se estende até ás
alturas das Serra da Lapa e de Montemuro, o vasto planalto
da Beira onde nascem os rios Dão e Vouga, enquanto a Sul
se ergue a Estrela, na direcção do oceano Atlântico eleva-se
o Caramulo e a nascente a Serra da Marofa, já em pleno Vale
do Côa, com as suas gravuras rupestres Património da Humanidade.
Se o Côa é a terra de passagem das comunidades de
caçadores e recolectores do paleolítico, este vasto planalto documenta,
com a preservação de antiquíssimos monumentos e
paisagens humanizadas, a sedentarização e os primórdios da
agricultura e da pastorícia. Indo pela EM alcança-se Algodres,
onde se conserva o antigo e monumental lavadouro público e
podemos apreciar o busto do “Algodres”, gravado na parede
por detrás da capela-mor da igreja matriz, imagem que a tradição
associa ao fundador da povoação e que sugere o retrato de
um monge. O seu portal gótico conserva os padrões de medida
gravados na coluna da esquerda e, no largo, ergue-se o pelourinho
manuelino.
De novo na estrada que liga Algodres a Maceira, na Quinta
das Alagoas, encontra-se uma lagariça escavada na rocha.
Mais adiante, surge o Dólmen de Cortiçô, sustentado por grossos
esteios de vários tipos de granito, de grão fino mas também
porfiróide, que, por não se encontrar nas redondezas,
testemunha por si só o esforço heróico dos seus ancestrais
construrores. É um local mágico, que parece estar orientado
em relação ao ciclo diurno do sol, e representar simbolicamente
a morte e a vida nos solstícios de Inverno e de Verão.
Logo depois Maceira onde pode ser visto um troço de calçada
romana que liga a povoação a Sobral Pichorro e um belo
Moinho de Vento. Prosseguimos inflectindo o percurso para
a Necrópole das Forcadas, da época medieval, situada entre
esta aldeia e a ribeira, composta por 25 sepulturas escavadas
na rocha. A natureza, num singular sortilégio, enfeita as
campas rasas com ramos de rosmaninho, de giestas, ervas e
de outras flores de campo.
Prosseguimos para a povoação de Matança, que a tradição
associa ao combate entre árabes e cristãos ou, mais remotamente,
entre romanos e “bárbaros”, com um notável pelourinho
encimado por uma gaiola que nos lembra a viseira das
armaduras medievais. O Dólmen de Corgas de Matança, a “Casa
da Orca” na linguagem popular, surge-nos depois desta povoação,
depois de um curto percurso por estrada de terra batida
e data do Neolítico. Na vizinha povoação de Furtado, encontramos
uma ara romana votiva epigrafada do século III, no interior
da Capela de S. Clemente e um forno comunitário.
De regresso a Fornos de Algodres, retomamos outra vez a N
330 em direcção a Figueiró da Granja, onde nas Lameiras se visitam
três sepulturas escavadas na rocha. Mas também o Castro
de Santiago, povoado calcolítico fortificado, datando do século
V antes de Cristo e ainda ocupado na Idade Média. É um magnífico
exemplo de como a história geológica e a geomorfologia
influenciam o povoamento humano.
Trata-se de um monumental tor (do galês torre) de granito,
gerado pela alteração desenvolvida na rocha granítica no interior
do seu manto de alteração. Por erosão dos materiais
mais finos constituídos por saibros, ficam a descoberto as zonas
graníticas não alteradas, revelando os blocos graníticos
separados pelas fracturas em que o processo de alteração se
desenvolveu. O efeito da tectónica, nos últimos 10 milhões de
anos provocou o desnivelamento de blocos através da movimentação
das falhas provocando o rebaixamento do Vale do
Mondego, que aqui se abre em toda a sua monumentalidade
aos pés do maciço da Estrela que se levanta a Sul com toda a
sua imponência.
Sobral Pichorro conserva uma igreja seiscentista e um pequeno
tesouro da arquitectura religiosa popular, a capela do
Santo Cristo, onde são visíveis elementos visigóticos (século XII).
Na parte mais alta de Sobral Pichorro, encontramos de novo a
estrada romana, em duas direcções opostas, Maceira e Carapito.
Dali vamos à Fraga da Pena, um povoado da Idade do Bronze
com imponente estrutura defensiva. É de novo um tor granítico
exibindo grandes blocos de granito separados por fracturas que
atravessamos revelando-nos então uma magnífica paisagem
sobre o vale da ribeira da Muxagata.
A Fraga da Pena e o Castro de Santiago são duas catedrais
de pedra erguendo-se sobre a paisagem cultural do vale do
Mondego, construída e conservada desde tempos imemoriais,
por pastores e agricultores da montanha.
Dali tomamos o caminho para Queiriz, com uma igreja muito
antiga reconstruída no século XVII e pela EC583 alcança-se
Carapito, com os seus múltiplos patrimónios.
Na EC583 encontra-se o desvio para o Dólmen da “Casa da
Moira”. Seguimos a EN226 para Peroferreiro, visitamos Lezíria
e a Ponte do Abade, a caminho do Douro ou do Vale do Côa, ambos
Património da Humanidade. Tomando a direcção de Aguiar
da Beira, na localidade de Açores, vira-se para a EM599 que é
o caminho para o Santuário da Lapa. O regresso a Fornos de
Algodres deve fazer-se pela EN330.
Os grandes quadros paisagísticos de Aguiar da Beira
O amplo planalto que prolonga para nascente o sistema orográfico
da Serra da Estrela, pela Serra de Almansor ou do Pisco,
até à plataforma serrana da Nave, encontra a Norte a Serra da
Lapa, berço do Vouga e assiste ao nascimento do Dão, por alturas
da Barranha (Eirado). É neste contexto geográfico que fica o território
de Aguiar da Beira e é ali que se conserva uma das principais
manchas de castanheiros da região, estendendo-se a Norte para
Sernancelhe e Penedono, onde é maior a biodiversidade.
Percurso recomendado
Aguiar da Beira (N229) – Coja (N229) – Caldas da Cavaca
(EM587) – Coruche (EM) – Aguiar da Beira (N330) – Eirado
(nascente do Rio Dão) (EC583-1) – Carapito (EC583) – Ponte do
Abade (N226) – Açores (EM599) – Gradiz (EM599) – Santuário
da Senhora da Lapa (nascente do Vouga) (EM584-2) – Aguiar da
Beira (N330) – Pena Verde (N330) – Fornos de Algodres (N330).
O Património de Aguiar da Beira
Dos tempos pré-históricos emergem os quatros dólmens de
Carapito e os castros da Gralheira, de Carapito e da Serra das
Abelhas.
Vestígios de uma antiga fortificação medieval, deixam ver
no pano de muralha de Aguiar da Beira a reutilização de silhares
almofadados romanos, que por aqui teriam traçado uma
estrada secundária, depois Caminho de Santiago.
A vila recebeu foral de D. Teresa, em 1120.
A antiga Praça Pública, hoje designada por Largo dos Monumentos,
é o seu centro histórico, integrando uma malha de
traçado medieval, com três singulares monumentos nacionais:
- a Torre do Relógio, a Fonte Ameada e o pelourinho de gaiola,
do século XVI. Além da antiga Casa da Câmara (século XVIII), a
Casa dos Magistrados (século XV), hoje unidade de turismo residencial,
a Casa Loureiro (século XVIII). Na encosta do castelo,
eleva-se a igreja da misericórdia, construída, provavelmente,
no século XVIII. É um exemplar da arquitectura barroca com
destaque para a capela-mor, com 32 caixotões de temática
hagiográfica. Subindo ao antigo castelo vemos para poente o
solar brasonado no Fundo de Vila e um vale matizado de verde
pelas suas hortas seculares e os pomares da salutífera maça
“bravo de esmolfe”. Em redor, estende-se a malha urbana medieval
e as novas urbanizações, como o complexo desportivo. O
horizonte circular alonga-se até à encosta da Lapa e à serra do
Pisco ou Almançor, e, em dias claros, vê-se Viseu. No topo da
velha muralha, a imagem de Nossa Senhora da Ascenção, e na
base, dois velhos cruzeiros e a igreja de Nossa Senhora do Leite
ou Nossa Senhora do Castelo de altar barroco, com um belo
arco gótico. Regressados ao largo caminhamos em direcção
à igreja matriz do século XVII. Nela se destaca um nicho com
escultura, em pedra de Ançã, de Nossa Senhora da Graça, atribuída
a João de Ruão, mestre da renascença coimbrã e os caixotões
com pinturas no tecto da Sacristia. De Aguiar às Termas
da Cavaca é um pulo pela EN229. Na saída pela EN230 uma
nova paragem para ver as sepulturas antropomórficas e seguir
para Pena Verde, com belo pelourinho e janelas manuelinas.
Percurso da Serra
Grande parte do circuito proposto com partida de Aguiar da
Beira teve já a sua descrição no circuito de Fornos de Algodres
com partida de Vila Ruiva. Limitamo-nos por isso a descrever
um percurso alternativo de regresso do Santuário de Nossa
Senhora da Lapa pela serra. Saindo de Aguiar pela EN229, o
nosso destino é o Vale de Açores e os seus pastos verdes. Dali
seguimos para o viveiro de trutas, ao pé de Gradiz, para aqui
visitar a ruína da casa onde nasceu o erudito franciscano Joaquim
Viterbo (século XVIII), a igreja matriz, de estilo barroco,
dedicada à Senhora das Neves e os solares de Vilhenas e Lapas.
No alto da serra fica o povoado de Mouções, no caminho
do Santuário de Nossa Senhora da Lapa, a quem dedicamos um
quadro anexo, como uma das paisagens culturais mais notável
da província das Beiras. Deixamos para trás o santuário e
a nascente do Vouga para retornarmos a Aguiar, visitando as
Quintas da Serra pela EM584-2.
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