Como conviver, em harmonia, com o povo, a sua história
e cultura, o clima e a geografia
Nos territórios da Serra da Estrela cruzaram-se e misturaram-
se as culturas os povos e nações peninsulares, as suas
migrações, conquistas e êxodos, mas também europeus do
Centro, do Norte e do Sul, africanos e muçulmanos vindos do
Oriente, do Mediterrâneo e de África.
A tradição da pastorícia, que é milenar e também a da transumância,
fizeram a sua gente e os seus gados percorrerem e
conviverem, até aos dias de hoje, com outras regiões e povos,
não apenas de Portugal mas também de Espanha, entre a
Estrela, Alto Douro, Montemuro, Campos de Coimbra, Beira
Baixa e Alentejo, e as Serras e Campos de Castela. A lã deu
origem a uma indústria centenária, que nasceu com os pisões
e manufacturas medievais, até ao nosso tempo. A sua memória
está conservada no Museu dos Lanifícios, na Covilhã. Mas os
serranos foram também mineiros, do volfrâmio da Panasqueira
ao couto de urânio da Urgeiriça. Construíram, a pá e picareta, um
dos mais antigos sistemas de produção de energia hidroeléctrica
em funcionamento, desdobrado em cascata sobre as encostas da
serra, que conserva magníficas obras de engenharia industrial: pequenas barragens, canais de recolha das águas, câmaras de
carga, e sobretudo, a musealizada Central do Desterro I, em
Seia. Edificaram antigas Misericórdias, e uma rede contemporânea
de hospitais e centros de saúde em todos os concelhos.
Às escolas conventuais, sob a tutela da secular Universidade de
Coimbra, sucederam-se as modernas Universidades e Institutos
Politécnicos.
Actualmente, nos andares bioclimáticos da Serra, Basal (400 a
900 m), Intermédio (900 a 1.600 m) e Superior (acima de 1.600 m),
o clima é atlântico nas encostas expostas a Oeste, a Norte e
nas maiores altitudes; mediterrânico nas encostas mais baixas
expostas a Este e a Sul nos seus vales profundos. O maciço
da Estrela funciona como uma barreira para as massas de ar
marítimo, que determinam nas suas áreas expostas a Oeste um
clima atlântico, enquanto que os vales e encostas abrigadas do
lado meridional e da Meseta apresentam características mediterrâneas.
Inúmeros climas locais e a complexidade orográfica
permitem criar uma verdadeiro mosaico faunístico e florístico e
uma grande variedade de paisagens humanizadas. A flora conta
com mais de 900 táxones de plantas vasculares, pertencendo
uma parte aos endemismos ibéricos mediterrâneos, algumas
são relíquias dos períodos frios do Quaternário. Ocorrem na
Serra cerca de 40 espécies de mamíferos, 150 espécies de aves,
30 espécies de répteis e anfíbios, 8 espécies de peixes e mais
de 2500 invertebrados.