O percurso que lhe sugerimos não apresenta grandes dificuldades na maior parte do ano. Contudo, o cuidado dirige-se para aquelas alturas em que a chuva está de visita a estas paragens que, devido à natureza xistosa dos solos, potencia pisos escorregadios e de alguma lama em alguns troços.
Para este périplo, temos como ponto de partida a localidade de Escalhão. Mas antes de iniciar o percurso, sugerimos-lhe uma visita a Barca d`Alva, uma pérola perdida em terras durienses. A estrada, para se lá chegar, encaracola vale abaixo mas a paisagem é deslumbrante… As oliveiras, as amendoeiras e os vinhedos entrelaçados matizam as cores de uma paisagem que varia ao longo das estações do ano. Lá no fundo, corre o rio Douro que empresta à paisagem o tom bucólico que se quer nos dias de hoje.
Mas regressemos a Escalhão. Para início de viagem, nada melhor que fazer uma paragem demorada no museu. Este é um verdadeiro local de “culto” à tradição do concelho. Ele constitui uma referência inquestionável não só na localidade mas como um testemunho da história do concelho. Aqui está retratado o viver destas gentes através do testemunho vivo dos objectos do dia-a-dia, das vivências rurais passando pelas artes tradicionais. Esta freguesia situa-se num local onde se pensa que existiu um castro lusitano-romano que ao longo dos tempos não perdeu a sua importância sendo referenciado como o “celeiro da região”. Daqui destacamos, também, a visita à Igreja Matriz de N. Sra. dos Anjos que combina os estilos manuelinos e maneirista do séc. XVI. A caminho da sede do concelho podemos ainda encontrar a ponte romana sobre a ribeira de Aguiar de origem romana e que serviu de passagem a uma via medieval de peregrinação a Compostela.
Depois desta visita a Escalhão, siga na direcção de Mata de Lobos. Na placa da localidade, deverá dar início ao seu itinerário de road-book. Em Mata de Lobos, estão referenciadas algumas sepulturas antropomórficas que espelham a antiguidade do povoado. Daqui destacamos, naturalmente uma visita à Igreja Matriz do séc. XV que guarda no interior um estilo barroco e com a torre sineira separada do corpo da igreja. Destaque ainda para a Capela de Sta. Marinha de estilo românico e que figura nos Arquivos Nacionais da Torre do Tombo que datam do séc. XIV. Saindo um pouco do percurso, a pouca distância da localidade, poderá encontrar a cruz de Pedro Jacques que perpetua a vitória dos portugueses sobre os espanhóis na Batalha da Salgadela em 1664.
E daqui até ao Santuário de Sto. André das Arribas é um saltinho. Este local é um verdadeiro paraíso! É nas arribas do Águeda que encontramos este santuário em pleno Parque Natural do Douro Internacional. Nesta área foram encontradas duas esculturas zoomórficas que representam um touro e um porco que datam da época proto-histórica. Um misticismo simbólico se pensar nos antigos que dizem que “entre o touro e o porco está o tesouro do rei mouro”!
No caminho, vamos encontrar Almofala. De origem árabe foi romanizada entre o séc. I e o V e ocupada pelos mouros até ao séc. XI. Destaca-se a Igreja Matriz onde no interior vamos encontrar um altar de talha dourada. Perto da localidade encontra-se a famosa Torre das Águias que assumiu o papel de templo e guardiã.
E aproximamo-nos do final da jornada. Eis que chegamos à Vermiosa atravessando a ponte romana. A sua origem perder-se no tempo testemunhada pela existência de algumas sepulturas antropomórficas. Da arquitectura da freguesia destacam-se algumas casas quinhentistas sendo disso exemplo a Casa do Juiz com traços manuelinos. Na Igreja Matriz, de estilo românico, destaca-se um altar que serve de um bom exemplo do barroco nacional.
Para este final de etapa, resta a consolação de um passeio tranquilo por entre vinhedos e carvalhais e uma fauna que passa pelas cegonhas (pretas inclusive), patos, mergulhões, grifos e falcões peregrinos. Se desejar, na última nota do road-book, vire à direita e siga até Figueira de Castelo Rodrigo. Pelo caminho, depois de passar Nave Redonda, encontrará o Convento de Sta. Maria de Aguiar, património nacional. Originalmente, o convento foi pertença da Ordem de Cister que ao longo dos anos desempenhou um papel fundamental no concelho. Na auréola dos tempos deste convento, estão os inúmeros milagres atribuídos a Sta. Maria.
Mas não nos vamos embora sem antes lhe darmos algumas sugestões gastronómicas porque da “pinga”, estamos conversados desde que as vinhas apareceram por estas bandas no séc. XII… Nesta região do interior prevalecem pratos à base de carne, do cabrito assado aos enchidos passando pelo bacalhau à lagareiro. Nas sobremesas destacam-se os inúmeros doces feitos com amêndoa para além de variadas compotas e o tradicional doce de abóbora com amêndoas.