Terra de Sacadura Cabral, as descobertas de hoje permitem ligações a um passado distante mas que, ao longo dos dias idos, conseguiu trazer até nós o verdadeiro testemunho do tempo e das gentes que vincaram a sua personalidade no livro de ouro da história do concelho. É sempre difícil encontrarmos o ponto exacto na história de um local onde possamos marcar uma fronteira definitiva do nascimento de um povo, de uma comunidade. O enraizar das gentes numa terra assume contornos únicos capazes de desvendarem verdadeiros motivos afectivos e racionais que se prolongam pelos séculos. O ameno vale de Celorico contrasta com a frieza da montanha muito para além do sentir das gentes do concelho unidas pela mesma sensibilidade. As características geográficas marcaram a história do concelho. As característica perduram no tempo e fazem desta terra um exemplo de aproveitamento dos recursos naturais e que hoje constituem um selo de qualidade de produto.
A História do concelho pelas características geográficas da sede de concelho defendida, por um lado pela serra e pelo outro no quase contorno do rio Mondego. Celorico teria tido origem num castro neolítico romanizado. Já durante a Idade Média, tanto Celorico como Linhares tiveram um papel crucial na linha de defesa contra castelhanos e muçulmanos. D. Afonso I deu-lhe o primeiro foral, confirmado por D. Afonso II em 1217. A categoria de vila e o foral novo foram assinados por D. Manuel I em 1512. A história de Celorico está atestada nos diversos cercos de que foi alvo. O mais famoso dos quais aconteceu em 1245 por D. Afonso III atribuindo-se ao alcaide-mor de então, Fernão Rodrigues Pacheco, a lenda da truta. Durante o cerco, quando tudo parecia perdido, eis que surge nos céus, sobre o castelo, uma águia com uma truta nas garras. A ave deixou, então, cair o peixe dentro das muralhas facto esse aproveitado por Pacheco da melhor forma. Em vez de ter sido cozinhada e dada ao povo resistente, este mandou confeccioná-la da melhor maneira possível para ser oferecida ao Bolonhês… Com este sinal de “abundância”, Afonso III resignou ao cerco libertando Celorico. Durante as Invasões Francesas Celorico serviu de quartel-general dos aliados e dos franceses.
Do percurso que escolhemos, sublinhamos a diversidade da paisagem, dos trilhos e da história. O trajecto oferece a tranquilidade de espírito suficiente para que possamos desfrutar de momentos únicos. Antes de sair para qualquer um dos percursos, procure descobrir os recantos de Celorico da Beira, a sua história, os monumentos, as gentes. Tenha como ponto de partida o Solar do Queijo da Serra, em pleno centro histórico, numa casa com data do séc. XVIII onde figuram o brasão real e o brasão das armas da vila onde funcionaram os antigos paços do concelho. O primeiro percurso leva-o desde as margens do rio Mondego até à história encerrada na Necrópole de S. Gens. As dificuldades não são muitas, em qualquer das estações do ano, a não ser a travessia a vau do maior rio português. Aconselha-se a maior cautela possível.
O segundo percurso, um pouco mais extenso, leva-o até à aldeia histórica de Linhares da Beira. Este é um percurso que sobe aos poucos e que deixa descobrir uma paisagem única onde o horizonte se perde para além do Caramulo com os vales do Dão e do Mondego a recortarem a paisagem. Linhares é ponto de paragem obrigatório onde sobressai a silhueta do castelo por entre um casario granítico marcado por diferentes épocas históricas. A descoberta de algumas janelas manuelinas na paisagem urbana é exemplo disso.
Apesar da tradição no fabrico de artefactos artesanais ir rareando, ainda conseguimos descobrir alguns objectos como produtos decorativos e utilitários, produtos de latoaria e cestaria assim como alguns trabalhos em madeira. À mesa, o concelho de Celorico da Beira oferece uma gastronomia regional variada toda ela com base nos produtos de qualidade produzidos na terra. O paladar gastronómico acaba por ser o fruto apetecível de gostos únicos que perduram há séculos por entre as gentes da beira. É fácil encontrarmos à mesa uma sopa de grão, enchidos variados, da farinheira à chouriça passando pela morcela ou o presunto, batatas com cabrito ou borrego, grelos salteados, migas de bacalhau, broa, arroz doce e, claro, requeijão acompanhado com os mais diferentes produtos, do mel ao doce de abóbora. E o que falta? Incontornável, o queijo da Serra da Estrela... Na verdadeira catedral do produto, a qualidade do queijo certificado é garantia de um sabor único e genuíno. A si de descobrir outros encantos neste concelho…