Na raia, a tradição dos touros perdura e todos os aficionados marcam lugar no campeonato do mundo do forcão. A criação do festival “Ó Forcão Rapazes!” remonta a 1986 e desde então tornou-se um ícone na agenda das capeias nacionais e não só. Um concurso sem vencedores nem vencidos.
Os aficionados chegam de todos os lados, seja do nosso país, da vizinha Espanha ou das aldeias limítrofes. O público veste-se a preceito para defender as cores das suas aldeias. A amálgama de tonalidades, a música e os gritos de apoio profetizam a acesa disputa entre as oito ou nove equipas participantes, conforme os anos. As aldeias desta região vivem com grande intensidade a antiga rivalidade e bairrismo interfreguesias. Na arena desfilam Aldeia Velha, Aldeia da Ponte, Aldeia do Bispo, Alfaiates, Foios, Forcalhos, Lageosa da Raia, Ozendo e Soito.
O palco da cena foi descentralizado em 2005, pois sempre se realizou na Aldeia da Ponte. A constituição deste evento cabe a todas as aldeias participantes, sendo que, cada ano a organização directa recai em duas delas, num sistema rotativo. O pódio também acabou por causa das disputas mais acesas. Assim, há muitos anos que não existem vencedores nem vencidos. Todos saem vitoriosos, mesmo os que não saem, totalmente, ilesos. Trata-se de uma competição entre as equipas e a valentia do touro, que calha em sorteio.
O festival nasceu em 1986, mas algumas freguesias não participaram em todas as edições, retomando o costume mais tarde. Actualmente, o concurso conta com a participação de nove aldeias, que se vestem de cores garridas para se distinguirem umas das outras.
A cada ano as bancadas do santuário taurino são pequenas de mais para acolher os milhares de aficionados que não perdem um concurso. É preciso chegar cedo para arranjar lugar! A sorte da lide depende da força dos braços e da sincronização dos homens, mas também da bravura e agilidade do “bicho”. Em suma, o Festival “Ó Forcão Rapazes” é uma festa em torno desta peculiar tradição tauromáquica que é o arte do forcão.