Gouveia iniciou-se com uma pequena comuna tendo cerca de 50 judeus em meados do século XV. No final da centúria, seriam quase 200. Encontramos aqui os Adida, Abenazo, Baruc, Faravam, Navarro e Sacuto.
A comuna de Gouveia esteve sempre muito ligada ao trabalho da lã, actividade clássica desde há muito nesta cidade.
Depois da data de expulsão dos judeus de Espanha (1492), muitos dos refugiados afluíram a Gouveia (tal como à Covilhã) com o sentido de intensificarem o trabalho dos lanifícios praticado então de forma muito rudimentar. As duas vilas (na época), com ribeiras caudalosas e íngremes, ofereciam a energia hidráulica necessária ao movimento das rodas dos engenhos.
Poucos anos mais tarde (1496) é construída uma sinagoga cujo registo fica patente na pedra encontrada em 1967 numa casa da Rua Nova em plena judiaria de Gouveia. Nesta cidade da vertente norte da Serra da Estrela a comunidade era também bem organizada. Fica para a história a força que, no período entre 1525 e 1530, o ódio fomentado por D. João III atingiu, tornando conhecido este episódio relatado por Meyer Kayserling:
«Em Gouveia foi encontrada em pedaços uma imagem de Maria, muito adorada pelo povo. Este sacrilégio, atribuído aos cripto-judeus da cidade, levou à prisão de três deles, que foram soltos após alguns dias. A massa enfurecida acusou os judeus de suborno. [...] O inquérito contra os cripto-judeus libertados foi reiniciado por insistência dos moradores. Falsas testemunhas depuseram contra os acusados e, como ficou provado mais tarde, devido a acusações caluniosas, morreram na fogueira como hereges e profanadores de imagens sagradas.»
Numa pedra da sinagoga de Gouveia pode ler-se: «A glória desta Última casa será maior que a primeira; Diz o "Adonai" (Senhor) dos Exércitos: a casa da nossa santificação, da nossa glória, e os resgatados pelo Senhor, voltarão e regressarão a Sião em alegria.»