Iniciamos este trilho num local extremamente aprazível, a Barragem do Lagoacho - espelho de água de 480.000 m2. Estamos a 1425 m de altitude.
Tomamos o caminho que vai até à Barragem do Vale do Rossim e pelo meio passamos pela pequena Barragem do Covão da Malhada. Dada a sua situação privilegiada, o Vale do Rossim funciona como espaço de recreio e lazer nos meses de Verão. Esta Barragem serve as centrais da EDP e inunda uma área de 371.000 m2. Junto à casa do guarda da EDP, o trilho segue a jusante da Barragem.
Atravesse a ponte na Ribeira da Fervença, continue à esquerda por uma carreteira, ao longo da Ribeira da Malhada da Laginha, que sobe entre mato de sargaço, urzes, torgas e piorno, em direcção aos três fragões das Penhas Douradas, que devem o seu nome à cor do Sol poente. Atravesse a linha de água e suba a encosta, em terrenos de areias soltas num morro a 1631 m.
Em frente, para além dos blocos arredondados das moreias glaciárias, avista-se uma outra paisagem. Desaparecem os castelos de rochas e surgem os rochedos polidos e os cervunais nas depressões, evocando ambientes da glaciação.
Desça a encosta e entre no Vale do Conde a 1590 m.
Este pequeno vale glaciário é coberto por um imenso cervunal que, no Verão, alimenta o gado transumante do Sabugueiro. Em solos de turfa, esta associação vegetal, em que o cervum domina, é formada por espécies próprias de zonas frias. Encontra-se em todo o planalto acima dos 1600 m, entre rochedos, em profundos covões ou em extensos vales. São sítios muito sensíveis e raros, com uma expressão única no país. Merecem todo o cuidado, quando percorridos.
Siga para montante ao longo da margem esquerda da Ribeira das Nateiras e atravessando para o outro lado pelas pedras, continue pelo cervunal até encontrar um caminho que, pela esquerda, o conduzirá a um enorme bloco de pedra denominado Lapão do Ronca.
Junto desta pedra parte um caminho que segue ao longo da encosta através do Covão das Lapas e Vale da Barca situados à esquerda, com cervunais juncados de lapas (blocos erráticos), descendo para o Covão dos Conchos (1690 m).
Esta pequena barragem desvia as águas para a Barragem da Lagoa Comprida através de um túnel com 1519 m de comprimento. Suba pelo caminho até uma área denominada Charcos a 1605 m.
Pequeno planalto semeado de charcos (lagoas glaciárias), que na Primavera se cobrem de ramúsculos de flor branca, e no Verão servem de bebedouro aos gados transumantes. As águas paradas e as temperaturas baixas destes locais, permitem uma decomposição lenta e imperfeita de espécies de flora e fauna, que se vão depositando no fundo, em camadas de sedimentos que se sucedem no tempo. As lagoas vão desaparecendo e os cervunais ocuparão o seu espaço.
Siga pelo caminho onde encontrará, à esquerda, duas pequenas lagoas e poderá visitar a Lagoa Comprida - 1580 m.
Esta era um antigo glaciar com 1 Km de extensão. Aproveitando o covão, iniciou-se em 1912 a construção da barragem. Em 1914 tinha uma altura de 6 m e em 1934 atingia os 15 m. Actualmente, desde 1965, tem uma altura de 28 m. É um barragem do tipo gravidade, formada por três arcos de alvenaria de granito com 1200 m de desenvolvimento. A albufeira tem a capacidade de cerca de 12 milhões de m3 de água, e inunda um área de 800.000 m2. Aí desaguam dois túneis: o do Covão do Meio com 2354 m, que desvia a água das encostas da Torre, e o do Covão dos Conchos com 1519 m que desvia as águas da Ribeira das Naves.
A partir da Lagoa Comprida, acompanhe a linha de água que vai ao Covão do Forno. Daqui, continue em direcção à Lagoa Sêca. Andando mais um pouco alcançará a Lagoa Redonda.
Siga agora a linha de água e encontrará de novo a Barragem do Lagoacho. Depois de contornar esta lagoa voltará ao ponto de partida junto ao paredão.
Extensão: 12 km
Duração: 6:00H