Se pensarmos que, na maior parte do tempo, um veículo todo-o-terreno circula em estrada é, fora dela que, a utilização de pneus específicos, de acordo com o tipo de terreno onde circulamos, pode fazer a diferença na facilidade de condução e de progressão. Numa situação ideal, deveríamos ter um conjunto de pneus para cada tipo de terreno em que circulamos. Mesmo assim, é aconselhável optarmos por dois tipos de pneus diferentes um que utilizaremos no dia-a-dia e um outro para uma situação concreta de prática de todo-o-terreno. A concepção deste tipo de pneus é diferente respondendo, cada um deles, a objectivos distintos. No que diz respeito às dimensões, deveremos ter sempre em atenção as recomendações do fabricante do veículo. No entanto, existem algumas medidas mais adequadas a determinadas situações que podem facilitar a progressão no terreno. Nem sempre a utilização de pneus mais largos ou com sulcos profundos podem solucionar a capacidade de tracção. Se os pneus mais largos permitem uma melhor distribuição da massa do veículo em relação ao solo podendo ser uma vantagem em solos arenosos ou com neve devido à sua maior “flutuação”, já em solos molhados o factor largura pode ser transformada no pior inimigo. Por outro lado, a utilização de pneus estreitos podem facilitar a tracção na maioria das situações de terrenos duros e lama.
5.1. O pneu de estrada
A estrutura de um pneu de estrada é menos robusta sendo mais sensível a sofrer danos de impactos exteriores. Por outro lado, o desenho da banda de rolamento, de desenho pouco aberto, não permite a optimização da tracção em situações difíceis. Para uma melhor consistência, a estrutura do pneu de estrada está optimizada para um melhor desempenho quer em curva, suportando o peso do veículo, quer em recta optimizando a direccionalidade. Se em piso seco não se colocam grandes problemas de aderência, já em estrada molhada o cenário é condicionado quer pelo atrito na superfície quer pela capacidade de drenagem de água. E, não se pense que, pelo facto de um veículo todo-o-terreno ser mais pesado, o fenómeno do aquaplaning não se venha a manifestar. A utilização deste tipo de pneus fora de estrada está fortemente condicionada pelo seu desempenho quer em termos de tracção quer em termos de resistência.
5.2. O pneu fora-de-estrada
Pela natureza da sua utilização, a estrutura de um pneu fora-de-estrada assume contornos de uma maior robustez na carcaça capaz de suportar não só maiores impactos como o de poder circular a baixa pressão em determinadas circunstâncias sem que esse facto venha afectar a estrutura em si. Ao contrário do que acontece com um pneus com perfil de estrada, a banda de rolamento caracteriza-se por evidenciar um desenho mais aberto optimizando a tracção facilitando, também a auto-limpeza dos sulcos.
5.3. Os pneus mistos
O pneu ideal na condução de veículos 4x4 seria aquele que nos conseguisse garantir uma eficácia satisfatória de aderência em qualquer circunstância e tipo de piso.
5.4. Pneus de Inverno
A circulação durante a época de Inverno reveste-se de algumas particularidades. As baixas temperaturas, a água, a neve e o gelo condicionam não só a aderência como também o funcionamento do pneu. Na maior parte das vezes, existe sempre um obstáculo entre a superfície de rodagem e a banda de rolamento do pneu. Contrariar as adversidades não é uma tarefa fácil quando se busca o máximo de tracção. Para tal, os fabricantes de pneus procuram encontrar a melhor mistura de borracha que consiga funcionar a baixas temperaturas combinando um tipo de piso adequado às condições invernais. Deste modo, é bom pensarmos que, a maioria das propostas dos fabricantes de pneus, têm apenas um bom desempenho durante esta época do ano uma vez que, com temperaturas elevadas o composto de borracha especial se deteriora com facilidade levando a percas de aderência. Assim, a grande parte das propostas do mercado passam por um pneu com um composto de borracha muito macio capaz de aderir, a temperaturas baixas, ao piso. O desenho do piso é baseado em tacos lamelizados capazes de se “agarrarem” com facilidade quando circulamos em asfalto molhado quer em percursos com neve. Depois das propostas tradicionais de pneus simétricos, os mais recentes estudos levaram os fabricantes a conceberem desenhos de pneus direccionais facilitando, deste modo, o escoamento eficaz da água e da neve. A condução em asfalto molhado deve-se revestir das necessárias cautelas no sentido de se evitarem velocidades capazes de provocarem o fenómeno do aquaplaning. No entanto, existe uma excepção. A condução em superfícies geladas. Aqui, apenas temos o testemunho concreto da utilização restrita de pneus com prego que respeitem determinadas normas pré-definidas.