(cont.) Mas não só de desencontros se escreve esta história. Uma grande quantidade de emigrantes europeus provenientes de Irlanda, Gales, Escócia, Alemanha povoou a região e nasceu assim uma cultura histórica e mitológica endémica, resultado da confluência dos indígenas patagónicos e destes celtas europeus. Esta incrível mistura étnica e cultural originou a actual cultura “criolla” do Sul da Argentina. Neste mágico lugar apelidado de Fim do Mundo, os lagos glaciares com as suas águas azul turquesa cristalinas, os bosques milenares, as estepas (planícies) áridas, as altas montanhas da Cordilheira dos Andes, os rios torrentosos e as suas costas marítimas intermináveis, entre animais, bosques, duendes, fadas, mistérios antiquíssimos, excelente gastronomia, vinho, cerveja artesanal, chocolate, cordeiro patagónico e o grande carinho das suas gentes gravam na nossa cabeça e coração momentos extraordinários para recordar toda uma vida... Vale mesmo a pena visitar e pescar umas lindas trutas com mosca, acampar ou desfrutar das belíssimas cabanas em madeira que por todos lados se oferecem, esquiar, fazer snowboard, parapente, BTT, cavalgadas, etc... Maravilhar-se com as paisagens, num território tão extenso como gratificante.
Que conservar este lugar e a sua pureza não seja uma quimera... que todos contribuam com o seu grãozinho de areia para um mundo melhor, mais justo. Que possamos voltar à cosmovisão dos nossos antepassados celtas, baseada no profundo respeito à natureza e a todos os seres vivos. Que o Mundo seja um lugar de Paz, de fraternidade, de compromisso. Que a crise dê lugar à criatividade, que a dificuldade dê lugar ao desapego... que todos tenhamos o “direito ao delírio”...
Por: Ana Margarida Estêvão, natural da Guarda, actualmente a viver na Argentina